07/12/2009
Juntos, os quatro caminhavam. Mas a história começara antes. Começava no juntos. Juntos eles se gostavam. E gostar é algo tão irracional que perde o sentido explicar “gostavam-se como”. Gostavam-se assim, sem mais adjetivos. Em algum momento, decidiram que simplesmente poderiam gostar e foram ao cinema.
O filme falava de pais, amores, obsessão, dinheiro, arte, amor pela arte, pelo dinheiro, pelas obesessões e pelos pais. E sexo. O filme falava da Penélope Cruz, mesmo quando ela não estava lá. E a Penélope Cruz tornou-se um deles. E, mesmo sem saber, não eram mais somente quatro.
Naquela noite, não deveriam ter saído. Estavam fracos. Doía a cabeça, a garganta, a lingua de tanto tossir. Doíam os olhos. Doía a idéia de que não estavam no melhor dos dias. Mal sabiam que as pessoas que se gostam, juntam-se quando a vida mais dói. Que é quando é melhor estar por perto. Sendo assim, ficavam.
Algumas frases seriam ditas. Exageros que se pronunciam quando se quer o melhor de alguém. Palavras fortes. “disparada”, “perfeito”, “melhor”. Bebeu-se o que se podia, comeu-se o recomendado. Fumar não se fumou, somente o perfume dos pescoços e dos hálitos.
Ao final, não sabiam mais o que estava na vida real, no imaginado, no filme, na projeção do futuro ou do passado, no sonho, na projeção do filme, na projeção do sonho, no projeto, na proa pr’acontecer. Só sabiam que, fosse o que fosse, voltariam.
Juntos.

Publicado por AL em 25 25UTC dezembro 25UTC 2010 às 18:37 r r
oi, ler aqui me trouxe a ligação memorial de um ou dois livros. São as idéias comunicantes da rede humana. Obrigada por proporcionar esta ligação ao panteão das memórias e das consciências.
Obrigada.