Se eu pudesse ser tudo que você procura o tempo todo

28/03/2009

Isto não é a história de um show. É só um pouco de blá, blá, blá sobre a vida. Que se passa num show. Mais especificamente naquele vinte e dois de março que o Radiohead esteve ali perto da nova linha do metrô que, infelizmente, ainda está em obras e que, felizmente, não se abriu em nenhuma nova cratera naquele domingo.
Segunda-feira, e demorou pra fazer sentido. Me deu uma tristeza. Do tipo “eles nunca mais voltarão. Acabou! Eles nunca mais voltarão”. Ainda bem que antecipei a compra do meu ingresso e estive lá, senão teria sido pior. Como quase todo mundo, espero pelo Radiohead desde o dia em que o Comercial do Carlinhos que tem Síndrome de Down, mas passa menos dificuldades do que o amigo (que é morador de rua), foi ao ar pedindo respeito. Vamos combinar também que colocar “Fake Plastic Trees” como música de fundo foi apelação, num foi? No bom sentido. Publicitário se deu bem com o apelo irrestível daqueles gemidos. Parabéns e obrigado, seu moço.
Pois bem, esperei, esperei, esperei e, quando eles disseram que realmente vinham (confirmaram no site e tudo), ouvi o último álbum e cheguei a conclusão de que a banda que eu esperava não existia mais. Hey, leia até o fim: adorei o In Rainbows, mas que é outra banda, é.
Sei que, poucas horas depois, ainda estava em êxtase, dias depois já tinha perdoado o horror que foi a organização (sim, também perdi o show do Los Hermanos por conta do trânsito da entrada) e, daqui a alguns meses, terei idealizado e pincelado tanto o evento que me lembrarei de coisas que nem aconteceram, mas, pro bem ou pro mal, não estarei sozinho. Todos os jornais de segunda-feira (sim, li todos!) tratavam o show como histórico, encantador e inesquecível. E foi mesmo. Foi pra mim porque eu estava lá. E estava também aquela banda, e aquelas luzes. E estava a Helô, com seu ânimo todo e suas danças e seu olhar carinhoso e seu jeito meigo. E a Juliana também estava (e eu não a encontrei), mas sei que, como eu, ela  também esperou até depois do último bis pra ver se tocavam “No surprises” e a gente se lembraria de todos os dias naquela casa, mas não tocaram. E estava a Amanda (que chegou pro show do Los Hermanos) indo embora mais cedo, se sentindo mal, sozinha. E a Livia, que foi de carro, que quase não conseguiu parar o carro, que cantou comigo no estacionamento, que foi pisoteada, que teve a sandália quebrada e consertada, que dormiu no carro esperando o estacionamento esvaziar e que comeu aquele salgadinho das três da manhã naquela milagrosa lanchonete vinte e quatro horas do centro.
Muitas vidas estiveram ali. E por isto o show foi inesquecível. Porque havia alguma comunhão entre elas, não? Ocê também tava lá? Sentiu arrepios naquele trechinho de Creep que ele diz que não sabe o que tá fazendo naquele lugar? Amou o coral de trinta mil vozes pedindo pra chover em Paranoid Android? Lembrou de alguém especial que marcou sua vida e que mora dentro de alguma daquelas músicas? Então ocê tava comigo, do meu ladinho também.
Fala a verdade, se fosse de tarde viraria piquenique, né?
Palavras-chave: amigos, Chácara do Jóquei, Creep, Fake plastic Trees, Los Hermanos, músicas, paranoid android., Radiohead, show em São paulo

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